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Por Carolina Brand.

Nos dias 7 e 8 de março em Otacílio Costa aconteceu a terceira edição do Otacílio Rock Festival que, apesar de recente, atraiu muitas excursões e visitantes de diversas cidades e municípios. Bandas de variados estilos mostraram seus trabalhos e provaram a força do rock, onde gostos se misturam e muitas vezes convivem pacificamente. “Muitas vezes” porque infelizmente alguns desentendimentos foram registrados neste evento, não só entre o público, mas também entre as bandas e a organização. Ânimos controlados, problemas resolvidos, seguem-se os shows ao longo do final de semana. Nada parece estragar a festa da maioria que vai para curtir e aproveitar essa grande iniciativa.

Sábado de tarde as excursões foram chegando e as barracas sendo montadas enquanto as bandas começavam a subir ao palco. Quando a excursão de Florianópolis chegou já havia tocado Black Soul, Psychokillers e Overthrash, todas com base no Thrash metal e essa última bastante elogiada por fãs e amigos. A primeira, curiosamente, é a banda do Prefeito da cidade, Denilson Padilha, que organizou o festival com a ajuda de Ariane Poluceno e Diego Felipe.

Por volta das 19 hs sobe ao palco a esperada Ekimooth de Araranguá. Atraiu grande público fiel e participativo com um show diferenciado e caracterizado. O vocalista “Azvarth” fala sobre a banda: “Estamos concluindo nosso Demo ‘Seduced by Death’. Ela foi trabalhada, no estilo (bem variado) de cada integrante, porém, voltados ao Symphonic Black Metal. Já havíamos participado do Steel Festival de nossa cidade e do Rock Ação Contra a Fome em Torres-RS, mas a experiência de tocar em um ‘Open festival’ foi totalmente nova, exigiu mais energia por ser um público novo e um estilo pouco comum em festivais, por isso não esperávamos muito, apenas dizer ‘hey, estamos aqui!’, para aqueles poucos fãs do estilo. Bem, não eram poucos, e graças a eles podemos aprender mais e esperar um novo festival com ansiedade. A organização do Otacílio Rock Festival foi atenciosa às nossas necessidades e tentaram ao máximo suprir eventuais contratempos, em nosso caso, parabenizamos e agradecemos pela simpatia e cordialidade.”

A banda Still Life com onze anos de estrada foi chamada para antecipar o show no lugar da Khrophus, que enfrentou problemas na viagem. “Quando a banda estava ainda no início da apresentação a organização tentou vetar o show (talvez pela banda Khrophus já estar presente), mas nos recusamos a sair do palco por achar uma falta de respeito com o público terminar o show daquele jeito. A atitude da banda foi apoiada pelo público e pela própria Khrophus. Achamos a estrutura de palco nota dez, entendemos os atrasos de domingo causados pela falta de energia, mas infelizmente os atrasos de sábado foi pura questão de logística”, explicou Giuliano Schmidt, guitarra e vocal da Still Life.

A Khrophus como sempre fez um show aguardado e acelerado ao ritmo da guitarra de Adriano Ribeiro. Os lageanos da Mr. Powerfull também anteciparam seu horário tocando antes da Warmagedoom. Foi uma seqüência Heavy, Brutal Death, Heavy e Death metal que impressionou a todos com curtos, porém grandes shows mostrando mais uma vez a diversidade de estilos musicais do evento. Hibria, principal banda do festival, aproveitou bem as privilegiadas duas horas de show para mostrar porque é uma banda de destaque no cenário musical. Muito carisma e afinação marcaram essa apresentação que deixou o maior público de sábado impressionado com a qualidade e potência da banda. O vocalista Iuri Sanson responde algumas perguntas:

Como começou a banda Hibria? Qual a formação atual?

A formação atual é Abel Camargo e Diego Kasper nas guitarras, Eduardo Baldo na bateria, Iuri Sanson nos vocais e Marco Panichi no baixo. Eduardo Baldo juntou-se a nós há dois anos como baterista, porém já estava com a gente há tempos como roadie. Em 2004 lançamos nosso primeiro álbum Defying the Rules e no momento estamos lançando The Skull Collectors, o segundo álbum oficial.

Qual o momento atual da banda?

Procuramos expandir o nome Hibria da melhor forma possível. Sempre tivemos uma ótima divulgação no chamado “boca a boca” por parte dos headbangers e isto é motivo de grande orgulho para nós. Queremos fazer shows em locais que ainda não tocamos e este ano já tivemos a oportunidade de participar do 3º Otacílio Rock. Agora em Maio vamos para o Japão com duas datas já confirmadas e possivelmente também para o Canadá e outros países.

Comente os principais trabalhos já realizados pela Hibria.

Nossa primeira Demo Tape – “Metal Heart” (1997) foi importante para nós quando lançamos pois queríamos divulgá-la ao máximo e saber a repercussão deste trabalho. Em 1999 com o Demo CD – “The Faceless in Charge”, fizemos uma demo-tour na Europa com 29 show em cinco diferentes países e após isso, quando atingimos nove músicas com mais maturidade musical, achamos que estava na hora de lançar o primeiro álbum oficial, “Defying the Rules”. Conseguimos fazer isso com muito orgulho em 2004 e agora com o novo álbum “The Skull Collectors” temos novas influências e habilidades colocadas de uma maneira muito forte. Tenho certeza que os headbangers vão gostar.

Primeira vez que participam de um festival em Santa Catarina? Como foi a experiência?

Na verdade já estivemos em outras duas oportunidades participando em duas edições do Steel Festival. É sempre muito bom tocar em Santa Catarina. O público agita muito nos festivais e esperamos retornar em breve. O Otacílio Rock vem crescendo e cada vez mais se preocupa com o nível das bandas que participam do festival e com a estrutura do evento. Ficamos muito satisfeitos com a organização que foi profissional do início ao fim e tratando todos com muita atenção.

A Hibria veio do Rio Grande do Sul acompanhada pela Disrupted Inc., banda de metalcore/deathcore que mostrou um som agressivo e muito sincronismo, apesar do cansaço e do horário avançado do show. O baixista Marcos 3.6.E comenta: “A Disrupted Inc. com seis anos de estrada vem trazendo a nova cara do metal com muita energia e força. Já tocamos com o Krisiun, Massacration e Suicidal Tendencies, gravamos um EP e um CD chamado ‘Take Another Look’. Agora planejamos ingressar no mercado internacional. Foi ótimo tocar para um público onde a grande maioria não nos conhecia mais participou do início ao fim e a organização fez tudo com muita competência, tanto para a banda como para o público”.

Warriors of Metal e Infernal War 666 representaram o Black Metal no fim da noite. Essa última fez o show mais polêmico do festival com direito à quebra de instrumentos e xingamentos aos técnicos de som… Os fãs reagiram e ficaram até o fim apoiando a banda revoltada com o já relatado atraso no horário previsto. Fabiano “Pazuzu”, guitarrista da Infernal desabafa: “Além das duas horas de atraso quando entramos no palco não tinha ninguém para ajudar a regular a aparelhagem, tivemos que fazer tudo sozinhos enquanto outras bandas de heavy metal tiveram passagem de som e tudo. Sempre tocamos com várias bandas boas e divulgamos o cenário catarinense pelo Brasil e num evento do nosso Estado acontece esse descaso com as bandas de metal extremo. Ficamos revoltados, saímos do palco só depois de acabar o show, mesmo com os seguranças botando pressão. Esse é espírito da Infernal War 666, tivemos que regular tudo e tocar sem retornos, e continuamos sendo a banda mais polêmica do estado. Quando mais diabólico melhor”.

Conturbado o fim da primeira noite, mas tinha muita coisa para rolar ainda no domingo. O que não se esperava é que um tornado também passaria pelo Parque Cambará, destruindo barracas com direito a chuva de granizo em 15 minutos de fúria natural. A conseqüente queda de luz resultou no atraso dos shows que estavam previstos para as 9 hs da manhã e começaram ao meio dia com o rock das Filhas do Velho, em seguida com o metal tradicional da Mercenary Tales e o Thrash da Warhell.

O domingo ganhou destaque já que as duas bandas mais votadas como melhores shows do festival na comunidade do Orkut tocaram em seqüência, botando a galera para dançar e participar da festa: Selvagens e Orquídea Negra. Selvagens é uma banda de Florianópolis que participa pela quarta vez de festivais pelo estado: “tocamos duas vezes no Orquídea Rock Festival e uma no Bob Rock”, comenta Giuliano Schmidt. Orquídea Negra era uma das bandas mais aguardadas do festival e dispensa comentários, fazendo um show empolgante, como de costume.

No fim do festival outra queda de luz impossibilitou que três bandas tocassem: Pantera Cover, Gangrena Inc. e Morningrise ficaram devendo o show para os fãs que aguardavam, devido aos problemas técnicos causados pelo tornado. A segunda queda de luz foi por volta das 17 hs, início do show da Necropsya, para tristeza dos que aguardavam ansiosos pelo show. Sendo assim, a festa acabou deixando uma ponta de “quero mais” e agora o assunto é o próximo festival do estado, o Bob Rock em abril. Parabéns aos organizadores e bandas prestigiadas e até a próxima!

Vejam fotos do festival no www.natobata.com.br !

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2 Responses to “IIIª edição do Otacílio Rock Festival”

  1. Rafa disse:

    Boa matéria garota adorei…bjusss

  2. T1460 disse:

    Duas citações ao lendário Steel Festival! Uma foi do João, mas também vale haha.